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sábado, 13 de junho de 2015

A experiência britânica e algumas verdades inconvenientes


No Reino Unido, não existe ninguém como Carol Giligan, Mary Pipher, ou uma instituição como a AAUW. Portanto, não surpreende o fato de que lá a verdade objetiva acerca da má performance masculina nas escolas seja divulgada para a população. Por mais de uma década, os jornais britânicos relatam o incômodo deficit escolar dos estudantes. O Times, de Londres, chamou atenção para a possibilidade de estar se formando “uma subclasse de homens sem habilidades, permanentemente desempregados.” “O que há de errado com os meninos?”. Questionou o Glasgow Herald. O The Economist se referiu aos homens como o “segundo sexo do futuro”. No Reino Unido, a população, o governo e as instituições de ensino estão bem cientes do crescente número de meninos com desempenho abaixo da média, e estão buscando formas de como ajudá-los. Eles deram um nome para esses garotos - “grupo náufrago” - e chamam o que aflige esses jovens de “ladismo”.

A mais impressionante diferença entre o Reino Unido e os Estados Unidos talvez sejam as políticas governamentais. Enquanto o governo britânico está combatendo e lidando corretamente com o fraco desempenho acadêmico masculino, considerando-o um sério problema nacional, as autoridades americanas estão se comportando como uma linha auxiliar da AAUW, seguindo obedientemente as diretrizes políticas das feministas, incluindo as iniciativas para aumentar a autoestima das meninas e ajudá-las a reencontrar suas “vozes”. O Departamento de Educação dos Estados Unidos distribuiu mais de 300 panfletos, livros e anúncios sobre igualdade de gênero, e nenhum deles tinha o objetivo de ajudar os meninos a alcançar a paridade com as garotas nas escolas do país. Enquanto o drama dos meninos vem crescendo, sem qualquer expectativa de melhora, os programas que visavam ajudar as meninas só se multiplicavam. A mais nova iniciativa se chama Girl Power! Em 1997, a secretária de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Donna Shalala, lançou o Girl Power! para promover a conscientização da população a respeito da desmoralização das meninas americanas. A Fundação Nacional de Ciência gasta milhões de dólares a cada ano ao oferecer programas de ajudar as meninas em ciências e matemática. Já a ideia de se ministrar aulas extras de leitura e escrita especialmente para os meninos nunca sequer passou pela cabeça das feministas. Os garotos são o gênero em risco, mas ninguém está pedindo dinheiro para enfrentar esse déficit acadêmico.

Nesse clima tão inóspito para os meninos, os educadores americanos que desejam ajudá-los se deparam com enormes obstáculos. No Condado de Prince George, em Maryland, próximo a Washington D.C., há um grande número de escolas públicas, onde a maior parte dos alunos são negros e pobres. De acordo com um membro da direção de uma das escolas, muitos dos meninos “estão por baixo em todos os sentidos, em todos os indicadores econômicos e em todos indicadores de desenvolvimento.” Para ajudar esses garotos, o condado organizou uma “Iniciativa de Desempenho para Homens Negros”. No início dos anos 90, aproximadamente 40 homens jovens se encontravam duas vezes por mês com um grupo de profissional de homens para tutoria e aconselhamento. O programa foi muito popular e efetivo, mas em 1996 ele foi radicalmente reestruturado por ordem do Gabinete de Direitos Humanos do Departamento de Educação. Segundo o Departamento, o programa discriminava as meninas. A mulher que presidia a comissão de diretorias das escolas do Condado de Prince George ficou muito satisfeita: “O ponto aqui é que nós estamos prejudicando as estudantes, e não deixaremos isso acontecer de novo.”

Nos Estados Unidos, as ideias propostas para ajudar a população masculina normalmente são ceifadas antes mesmo de terem a chance de criar uma raiz. Em 1996, as escolas públicas da cidade de Nova York fundaram a Escola de Liderança para Jovens Mulheres, uma escola pública só para meninas em East Harlem. A escola é um grande sucesso e muitos veículos de comunicação, incluindo o The New York Times, pressionaram então ao então secretário de educação Rudy Crew para que também fosse criado um “centro de excelência para os meninos”. Crew rejeitou a ideia de uma escola apenas para garotos nos mesmos moldes da Escola de Liderança, se referindo a ela como uma forma de reparo às práticas educacionais do passado, que negligenciavam as garotas, o que faz com que escolas exclusivamente femininas sejam moralmente admissíveis. Como ele disse ao Times, “Essa é uma situação onde a existência de colégios só para meninas são uma importante afirmação sobre viabilidade da educação das meninas, e quero continuar a fazer essa afirmação.” Presumivelmente, tal afirmação perderia toda a sua força e sentido se uma escola exclusivamente masculina fosse mantida ao mesmo tempo.

Que mensagem esse tipo de declaração passa aos meninos de East Harlem? Para começar, mulheres afro-americanas superam enormemente os homens afro-americanos em números de estudantes nas instituições de ensino superior. De acordo com o Jornal dos Negros na Educação Superior, “As mulheres negras nos Estados Unidos respondem por quase todas as conquistas de negros inscritos em universidades pelos últimos 15 anos.” Em 1994, por exemplo, as mulheres afro-americanas obtiveram 63% dos diplomas de bacharelado de 66% dos de mestrado obtidos pelos afro-americanos naquele ano. Nas universidades historicamente negras, as mulheres abrangem 60% das matrículas, e compõem 80% do quadro de honra, e as disparidades estão aumentando.

O que aconteceu com os homens negros entre as décadas de 80 e 90? Essa seria outra questão suscetível a uma análise minuciosa durante uma conferência da PEN, e deveria ter sido levada a sério pelo secretário Crew. Mas, nos ciclos de discussão sobre igualdade de gênero, essa questão é de menor importância, se não um tabu.


A verdade sobre os meninos

A despeito do clima anti-masculino criado pelas feministas, a preocupação para com a situação dos garotos estava aumentando, e no fim dos anos 90 o mito da menininha frágil estava sendo desmascarado. Artigos sobre os déficits educacionais masculinos começaram a surgir nos jornais americanos com manchetes muito parecidas com essas, que apareciam na imprensa britânica: “As universidades americanas começam a se perguntar, para onde foram os homens?”, “Como os garotos perderam para o poder feminino”, “Pesquisas mostram que as meninas tomaram a dianteira nas escolas”, e “Meninas superam os meninos em performance escolar.” Estudos mostrando a existência de uma grande disparidade de gênero na educação desfavorável aos meninos começaram a emergir. Foi nessa época que a mídia tomou ciência do que estava ocorrendo.

A associação Horatio Alger, uma organização que há 50 anos se dedica à promoção e à afirmação da iniciativa individual e do “sonho americano”, publicou uma pesquisa sobre rendimento escolar em 1998. O estudo contrastou 2 grupos de estudantes: os altamente “bem sucedidos” (aproximadamente 18% dos estudantes americanos) e os “desiludidos” (aproximadamente 15% dos estudantes). Os estudantes do grupo bem sucedido trabalham duro, escolhem assistir às aulas mais desafiadoras, fazem do dever de casa uma prioridade, tiram boas notas, participam de atividades extracurriculares e sentem que seus professores se preocupavam com eles e os ouvem. De acordo com o relatório, o grupo bem sucedido é composto em 63% por meninas e em 37% por meninos. Por outro lado, os estudantes desiludidos são pessimistas a respeito de seu próprio futuro, tiram notas baixas, possuem o menor contato possível com seus professores, e acreditam que “não existe ninguém a quem eles possam pedir ajuda.” O grupo desiludido poderia ser acertadamente caracterizado como desmoralizado. Segundo o estudo, “aproximadamente 7 em cada 10 estudantes desse grupo são meninos.”

Na primavera de 1998, Judith Kleinfeld, uma psicóloga da Universidade do Alaska, publicou uma minuciosa crítica sobre as pesquisas das feministas denominada The myth that School Shortchange Girls: Social Science in the Service of Deception. Kleinfeld expôs vários erros e concluiu que a pesquisa da AAUW e do Wellesley Center sobre as garotas era pura “política travestida de ciência.” O relatório de Kleinfeld levou muitos jornais, incluindo o The New York Times e o Education Week, a reconsiderarem suas antigas declarações acerca das meninas que estavam em situação trágica.

A AAUW não respondeu adequadamente a nenhuma das significativas objeções feitas por Kleinfeld: Ao invés disso, sua presidente, Maggie Ford, reclamou na coluna de cartas do The New York Times que Kleinfeld estava “reduzindo os problemas de nossas crianças a essa insignificante disputa de 'quem está pior, os meninos ou as meninas?' que não nos leva a lugar nenhum.” Para a líder de uma organização que passou quase uma década promovendo a ideia de que as meninas americanas estão sendo “prejudicadas”, esse comentário é um tanto surpreendente.

A diretora executiva da associação, Janice Weinman, deu uma explicação mais sincera para a persistente negligência dos problemas masculinos pela AAUW: “Nós somos a Associação Americana de Mulheres Universitárias”, disse ela, “e nossa missão é cuidar da educação de meninas e mulheres.” Essa seria uma justificativa plausível, caso as feministas não tentassem incansavelmente promover a ideia de que os meninos estavam injustamente em vantagem, enquanto as meninas eram neglicenciadas. A AAUW não simplesmente ignorou os problemas dos garotos, ela também se recusou a reconhecê-los, treinando professores, durante sua Conferência de Lideranças, para que se defendessem de questionamentos a respeito dos déficits masculinos, e comparando aqueles que questionassem o preconceito contra as meninas a “revisionistas do holocausto” em suas publicações.

Nesse contexto, deveria se salientar que, enquanto Gilligan e a AAUW criaram e divulgaram com sucesso o mito da menina emudecida, tal mito jamais se fez presente entre os próprios estudantes. A AAUW estava ciente de que a maneira pela qual os estudantes pensavam em si mesmos e em seus professores não estava de acordo com o discurso oficial apresentado ao público. Analisando as opiniões e experiências de estudantes de ambos os sexos, a AAUW descobriu que são os meninos que se sentem rejeitados e, as meninas que se sentem beneficiadas pelos professores. Mas, evidentemente, os seus líderes não consideraram como missão da associação a publicação dessas descobertas nos folhetos que anunciaram a grandiosa tragédia feminina.

Mas será que algo de valor pode ser retirado dessa crise feminina criada em laboratório? Existem alguns pontos positivos. Pais, professores e diretores estão agora mais atentos às dificuldades das meninas em matemática e ciências, e oferecem mais apoio às participações delas em equipes esportivas. No entanto, esses benefícios poderiam e deveriam ter sido obtidos sem que se promulgasse um mito sobre meninas incrivelmente diminuídas ou se apresentasse os meninos como o sexo injustamente privilegiado.

Um garoto hoje, mesmo não tendo nenhuma culpa, acredita que ele próprio cometeu o crime de “causar prejuízo” às meninas. Já a supostamente emudecida e maltratada garotinha sentada ao lado dele tem maiores chances de ser uma boa aluna. Ela não é apenas mais articulada, mas também é uma pessoa mais madura, compromissada e equilibrada. Ele talvez esteja embaraçosamente ciente de que as meninas são mais suscetíveis de irem para as universidades, e talvez ele acredite que seus professores preferem estar rodeados de meninas, dando atenção a elas. Ao mesmo tempo, ele está embaraçosamente ciente de que ele é considerado membro de um “gênero dominante” injustamente privilegiado.

Os meninos americanos estão sendo deixados para trás por seus pares femininos, academicamente falando. Para ajudá-los, o primeiro passo a ser dado deve ser a demonstração de repúdio ao feminismo militante, que distorce a questão ao inventar mil e uma mentiras a respeito das diferenças entre os sexos nas escolas. O próximo passo é fazer todo o esforço possível para que seja feita uma indispensável análise, com dados honestos e objetivos, sobre a natureza e as causas dessas diferenças. No entanto, nenhum passo pode ser dado enquanto a falaciosa campanha feminista ainda possuir qualquer tipo de crédito com a opinião pública.

A mídia e as instituições de ensino podem ajudar divulgando os estudos do Departamento Americano de Educação, da MetLife, do Instituto de Pesquisa e da Associação Horatio Alger, bem como as pesquisas acadêmicas feitas por Larry Hedges e Amy Nowell, por Judith Kleinfeld e por Valerie Lee e seus parceiros. Todos esses estudos expõem as mentiras disseminadas pelas feministas, e todos mostram que o termo “meninas prejudicadas”, tão usado por elas, não passa de uma piada.

É chegada a hora da população americana tomar ciência das descobertas que suplantam e contradizem a visão normalmente aceita de que as meninas estão academicamente atrás dos meninos. Devido ao fato da população britânica ser melhor informada acerca de seus jovens, as escolas britânicas deram um primeiro passo importante ao criar programas com o objetivo de tirar os meninos da categoria de “desiludidos” e lidar com seu insucesso crônico. Nós temos muito a aprender com tais iniciativas e com a saudável e sensata abordagem feita para resolver um problema que eles corretamente veem como uma emergência nacional. No entanto, até o momento, os problemas dos meninos são invisíveis.

O que está por vir?

Os teóricos do gênero e ativistas que no passado tinham pouco a dizer sobre os meninos recentemente começaram a nos dizer que eles também precisam de atenção – não porque as escolas estão sendo negligentes com as necessidades acadêmicas deles, mas porque, “sob o patriarcado”, homens são familiarizados com comportamentos masculinos destrutivos. Especialistas de gênero de Havard, Wellesley, Tufts e das principais organizações feministas acreditam que nossos meninos e homens continuarão a ser sexistas (e potencialmente perigosos) a não ser que esse mal convencional seja arrancado deles. Pode ser que seja tarde demais para mudar os adultos: mas os meninos, por outro lado, ainda podem ser salvos – desde que sejam doutrinados desde cedo. Tal tipo de pensamento é um desafio que muitos dos defensores da “igualdade” estão ansiosos para enfrentar. Como uma importante oradora em um seminário de especialistas em igualdade de gênero disse à sua audiência, “Nós temos uma incrível oportunidade, crianças são tão maleáveis...”.

A crença de que os meninos estão sendo erroneamente “masculinizados” está inspirando um movimento para “construir a infância” de modo que os garotos se tornem menos competitivos, mais expressivos emocionalmente e mais sensíveis - em outras palavras, mais parecidos com meninas. Gloria Steinem resume a visão de muitas feministas quando diz: “Nós precisamos criar os meninos como criamos meninas”.

A agenda feminista não é uma utopia fantasiosa. Na verdade, como demonstrarei, um movimento para a destruição da masculinidade já está em andamento, obtendo razoável sucesso. E, como muitas outras bem-intencionadas mas mal concebidas reformas e revoluções, esse movimento tem enorme potencial para fazer de muitas pessoas - nesse caso, milhões de jovens - infelizes e miseráveis.

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Novas descobertas e observações discordantes

Na edição de 7 de julho de 1995 da revista Science, Larry Hedges e Amy Nowell, pesquisadores da Universidade de Chicago, observaram que as deficiências femininas em matemática eram pequenas, mas não insignificantes. Eles perceberam que essas deficiências poderiam afetar adversamente o número de mulheres que “se sobressaem em cargos técnicos e científicos”. Quanto às habilidades de escrita dos meninos, eles escreveram que “A grande diferença entre os sexos na escrita... é alarmante. Tais dados insinuam que os homens, em média, estão em uma profunda desvantagem na performance dessa habilidade básica”. Hedges e Nowell continuam com o aviso, “Os números normalmente maiores de homens com os piores resultados na leitura e na escrita também possuem implicações políticas. Parece provável que os indivíduos com tais habilidades tão mal desenvolvidas terão dificuldade em conseguir um emprego em uma economia cada vez mais regida pela informação. Então, alguma intervenção pode ser necessária para permiti-los a participar da sociedade construtivamente.”

Hedges e Nowell descreveram um sério problema de dimensão nacional, mas devido ao foco ter sido direcionado exclusivamente às deficiências femininas, esse não é um problema que os americanos conhecem muito sobre ou mesmo suspeitam que exista. É muito difícil olhar para os dados escolares de adolescentes ou os mais recentes dados sobre os estudantes universitários sem chegar à conclusão de que as meninas e as mulheres jovens estão prosperando, enquanto suas contrapartes masculinas estão definhando.

Em 1995, talvez em reação às críticas – de um crescente número de pesquisadores que não se deixaram ser enganados – a AAUW encomendou um estudo mais sério sobre o desempenho acadêmico dos sexos. Esse estudo, denominado The Influence of School Climate on Gender Differences in the Achievement and Engagement of Young Adolescents, feito pela professora da Universidade de Michigan Valerie E. Lee e seus associados, foi publicado sem a costumeira fanfarra com que a AAUW anuncia suas pesquisas, e isso não surpreende. O estudo de Lee sugere intensamente que os relatórios anteriores sobre uma trágica desmoralização que as jovens americanas vêm sofrendo têm sido muito exagerados.

Lee e seus parceiros de pesquisa analisaram dados sobre o desempenho e comprometimento escolar de mais de 9.000 meninos e meninas do 8o ano e descobriram que as diferenças entre eles poderiam ser classificadas de “pequenas a moderadas.” Além do mais, o padrão das diferenças de gênero não possui uma “direção consistente”. Em algumas áreas, as meninas se sobressaem. Em outras, os meninos são melhores. O estudo também mostrou que as meninas são mais comprometidas academicamente que os meninos: elas estavam melhor preparadas para assistir às aulas, possuíam melhor histórico de presenças, e evidenciavam um comportamento acadêmico mais positivo, em sua totalidade.

As conclusões sensatas de Lee na pesquisa patrocinada pela AAUW se basearam nos dados do Departamento de Educação dos Estados Unidos e eram totalmente coerentes com as descobertas de Hedges e Nowell. Mas eles estavam em desacordo com o distorcido quadro que a AAUW tinha vendido anteriormente com sucesso para o público americano e para o Congresso. Lee concluiu que “A opinião pública acerca das questões dos gêneros nas escolas precisam sofrer algumas mudanças... A desigualdade pode (e faz) a diferença em ambas as direções.” No tanto quanto me foi possível verificar, o estudo objetivo e competente de Valerie Lee não foi citado em nenhum jornal.

A AAUW não gastou 150.000 dólares divulgando a pesquisa de Lee, e nem mesmo suavizou sua própria retórica sectária. Pelo contrário, as visões discordantes provocaram uma grande ira na associação, que se tornou abusiva. Na primavera de 1997, o boletim da AAUW, o AAUW Outlook atacou os “revisionistas do preconceito de gênero” que, “como John Leo, Christina Hoff Sommers e outros colunistas locais”, questionaram o mito da menininha frágil: “Todos nós já ouvimos a histórias revisionistas. Sempre haverá aquelas pessoas que insistirão que o Holocausto não aconteceu... Os revisionistas frequentemente distorcem os fatos tão profundamente que eles assumem a história de uma forma que ela perde toda a sua semelhança com a realidade.”

No verão de 1997, a AAUW seguiu com os ataques aos seus críticos com uma “Conferência de Lideranças” que durou 4 dias, na qual a assessoria de comunicação da associação treinaram 30 professores e outros “defensores da igualdade” com estratégias de como lidar com os “revisionistas na mídia e em outros lugares. Eu fui a uma das sessões na sede da AAUW, em Whashington D.C. (Eu não era uma pessoa bem-vinda ali e, em um dado momento, pediram educadamente para que eu me retirasse). Fora da sala onde ocorria a conferência, havia mesas cheias de lembrancinhas sobre meninas em cirse. Os professores poderiam comprar “ursinhos de pelúcia da igualdade”, canecas de café, e camisas com o slogan “Quando nós prejudicamos as meninas, prejudicamos a América”. Também havia broches com os dizeres “Eu sou uma estrela”, voltados para as meninas com baixa auto-estima.

A assessoria da AAUW preparou os professores para lidar com questões sobre os meninos. Em um seminário de treinamento especial denominado “Porque focar nas Garotas?”, os professores ensaiaram suas respostas aos questionamentos sobre os meninos e a equipe da AAUW criticou a performance. Um dos “treinadores da igualdade” aconselhou aos professores para que eles usem “as palavras e frases chaves da AAUW” tanto mais quanto possível – especialmente a preferida deles, “meninas prejudicadas”. Os treinadores pediram para que os professores praticassem usando uma “linguagem confiante”, com expressões como “a pesquisa mostra que.”

Embora a sede da AAUW onde essa conferência ocorreu estivesse no epicentro do movimento da crise feminina, alguns dos professores que participaram estavam temerários de defender tais ideias na frente de meninos. Uma jovem professora de Baltimore relatou que em sua escola os garotos eram tão vulneráveis quanto as garotas - “se não mais”. E, em uma discussão sobre como defender do caráter exclusivamente feminino da prática de se levar as filhas para o serviço no dia do trabalho, 4 professores protestaram, dizendo que os meninos também deviam ser incluídos. Em ambos os casos, os especialistas em igualdade da AAUW suavemente trouxeram o foco da discussão de volta para as meninas.


Outras observações discordantes

As feministas amam se reunir em grupos para contar histórias sobre como as garotas estão sendo prejudicadas. Em novembro de 1997, a Rede de Educação Pública (PEN), um conselho de organizações que ajudam as escolas públicas, patrocinou uma conferência denominada “Gênero, Raça e Desempenho Estudantil”. Os principais nomes que participaram da conferência foram Carol Gilligan e Cornel West, um professor de estudos afro-americanos e filosofia da religião na Universidade de Harvard. Gilligan falou sobre como as meninas e mulheres “perderam suas vozes”, como elas “foram inferiorizadas” na adolescência, e como professoras são “nulas”, tendo sido “emudecidas” pela “estrutura patriarcal” que domina nossas escolas. Cornel West falou sobre a necessidade que ele teve de superar seus próprios sentimentos de “supremacia masculina.”

Mesmo no mais politicamente correto dos encontros, as sérias deficiências dos meninos vieram à tona. No primeiro dia de conferências, durante uma sessão especial de três horas, a equipe da PEN divulgou o resultado de uma nova pesquisa, entitulada The American Teacher 1997: Examining Gender Issues in Public Schools. A pesquisa foi financiada pela Companhia de Metropolitana de Seguros de Vida (MetLife), como parte de sua série sobre os professores americanos, e foi conduzida pela Louis Harris & Associates.

Durante um período de três meses em 1997, 1.306 estudantes e 1.305 professores das turmas do sétimo ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio responderam várias perguntas sobre igualdade de gênero. O estudo da MetLife não foi encomendado por nenhuma organização feminista, logo ele não tinha uma cartilha doutrinária a seguir. Portanto, o que se descobriu contradizia em grande parte as “descobertas” da AAUW, dos Sadkers e do Wellesley Center. Foi dito, educadamente, que: “Ao contrário da visão, muito comum, de que os meninos possuem vantagem sobre as meninas, elas parecem estar à frente deles em termos de planos futuros, expectativas por parte dos professores, experiências escolares e interações em sala de aula.”

Aqui estão algumas outras conclusões do estudo da MetLife:

* Garotas são mais suscetíveis do que os garotos de visualizar a si mesmas como futuras universitárias.

* Elas também são mais suscetíveis do que eles de querer possuir uma boa formação.

* Mais meninos do que meninas (31% contra 19%) sentem que os professores não ouvem o que eles tem a dizer.

O relatório da MetLife advertiu a um auditório lotado de admiradores de Carol Gilligan que os garotos americanos necessitam de mais atenção do que as garotas. Os participantes estavam ouvindo – muitos pela primeira vez – que o discurso convencional dos estudos que mostram “meninas perdendo sua auto-confiança... e como resultado tendo piores desempenhos” na escola era uma simples mentira. Essa deveria ter sido uma grande notícia para uma mídia completamente tomada pelas descobertas acerca do trágico destino das garotas americanas. Mas em qualquer assunto onde as garotas estão envolvidas, boas notícias não são notícias.

Ocorreram outras observações discordantes expostas na conferência. Durante uma roda de debates sobre questões de gênero e raça nas escolas, um palestrante, que leciona em uma rigorosa escola pública de ensino médio de Washinton D.C., disse que lá é tão raro um menino ir bem nos estudos que “é um grande feito quando um garoto conseguia ingressar numa sociedade de honra ou ganhar algum prêmio”. Ninguém se atreveu a comentar sobre isso.

Em outra sessão, com o nome de “Como as experiências escolares de meninos e meninas diferem?” Nancy Leffert, uma psicóloga infantil do Instituto de Pesquisa de Minneapolis, demonstrou o resultado de uma grande pesquisa que ela e seus colegas fizeram recentemente com mais de 99.000 estudantes do 6o ano do ensino fundamental ao 3o ano do ensino médio. Os jovens foram questionados sobre seus “ativos de desenvolvimento”. O Instituto de Pesquisa identificou 40 ativos essenciais (“pedras fundamentais para o desenvolvimento sadio”). Metade deles eram externos - por exemplo, uma família presente, adultos servindo de modelos comportamentais – e metade eram internos – motivação para conquistar seus objetivos, senso de propósito na vida, confiança para manter relações interpessoais. Leffert explicou aos expectadores da palestra, de uma forma laudatória, que as meninas estão à frente dos meninos em 34 dos 40 ativos! Em quase todos os parâmetros mais importantes de bem-estar, elas estão melhores que eles: se sentem mais próximas de suas famílias, tem maiores aspirações e laços mais fortes com a escola – possuem até mesmo uma maior assertividade. Leffert concluiu sua palestra dizendo que antigamente ela se referia às meninas como frágeis e vulneráveis, “mas se você der uma olhada [na nossa pesquisa], ela mostra que as meninas possuem ativos muito poderosos.”

O estudo original da AAUW, tão eficazmente promovido, foi baseado em um levantamento de dados de 3.000 crianças. O estudo do Instituto de Pesquisa que Leffert sintetizou em sua palestra era incomparavelmente mais confiável – foi baseado em uma amostra contendo quase 100.000 estudantes. Esse grandioso estudo definitivamente atestou que a premissa da menina prejudicada – na qual a conferência da PEN se apoiava – era falsa.

Ainda assim, ninguém chamou a atenção dos conferencistas para esse fato. O suposto destino trágico das meninas em nossa “sociedade sexista” continuou sendo o pensamento dominante. Leslie Wolfe, presidente do Centro para Estudos Políticos Femininos em Washington D.C., denunciou o “currículo sexista oculto” das escolas. “Nós devemos ensinar os meninos que a supremacia masculina é inaceitável”, disse ela. Outros palestrantes foram adiante, defendendo ideias como o “empoderamento feminino” e a “demonstração de estratégias na sala de aula para melhorar o desempenho e comprometimento das meninas”. Além disso, David Sadker participou de um debate no qual ele descreveu “o oceano do preconceito de gênero [contra as meninas, nunca o contrário] que existe à nossa volta.”

A visão “oficial”, descompromissadamente articulada pelo então presidente da AAUW Jackie DeFazio em 1994, tem de ser constantemente questionada pelas escolas e universidades: “Meninas continuam recebendo uma educação desigual em nossas escolas. Não importa em quais aspectos os jovens são analisados - pontuações de testes, desempenho em sala e averiguação dos métodos de ensino – estudo atrás de estudo, nos fica mais claro que as meninas não estão alcançando seu potencial como os meninos o fazem.” (essa última parte é muito enfatizada).

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Um Jesus para Homens de Verdade



Fonte [*]

Os erros e acertos do movimento masculino.

Os garanhões confraternizam em bares, os eunucos confraternizam na igreja.” Esta observação de David Murrow mexeu comigo. Eu sempre prosperei na minha congregação, mas nunca tive certeza de que me encaixava no molde de masculinidade presente ao meu redor. Assim, da mesma forma que me ressinto da opinião de Murrow, esta no entanto, soa verdadeira: Em muitas igrejas, um certo tipo de homem é notoriamente ausente.

A disparidade entre homens e mulheres atendidos nas igrejas americanas fez os homens procurarem por ministérios especializados nas duas últimas décadas. O Promisse Keepers iniciou o movimento masculino em 1990 desafiando estádios cheios de homens e meninos a cumprir com as suas obrigações com Deus e com suas famílias. Atualmente uma literatura crescente tem observado a igreja, sugerindo que os homens se envolvem pouco com a igreja por ela não encorajar a participação masculina autêntica.

O primeiro escritor a popularizar essa preocupação foi John Eldrege cujo bestseller de 3 milhões de cópias vendidas Wild at Heart (Thomas Nelson, 2001), lamenta a situação dos homens que acreditam que Deus os colocou na Terra para serem bons meninos pois isso coloca o espírito masculino em risco. A tendência da igreja de promover o discipulado meramente como se tornar um “bonzinho” afasta os homens de aceitar a masculinidade dada por Deus.

Wild at Heart lançou as sementes de um “movimento masculino” cujo objetivo era levar os homens a freqüentar as igrejas mudando sua atmosfera. David Murrow, autor do livro Why Men Hate Going to Church (Thomas Nelson, 2004), fundou o grupo Church for Men porque, enquanto as congregações locais são “perfeitamente designadas para alcançar mulheres e idosos”— com ênfase no conforto, educação e relacionamentos — por isso oferecem pouco para comover o coração masculino, então os homens acham isso chato e irrelevante.”

Inspirado por Murrow, o comediante Brad Stine entrou no GodMen, um ministério que prove um ambiente no qual homens podem ser homens; rústicos e desinibidos; completamente livres para se expressar de um modo que apenas homens compreendem.” Em um encontro de 2002 do GodMen, o evento contou com vídeos de lutas de karatê, perseguições de carro e músicas como “Grow a Pair!” na qual se lê em sua letra:

Nós fomos derrotados
Feminizados pela cultura coletivista
Chega de ser bonzinho, timido e envergonhado
Pegue a espada, não se assuste
Seja homem, honre suas bolas!

Esta canção não é cantada com a melodia de “In the Garden.

A mensagem da Church for Men e GodMen está repercutindo nos ministérios de todas as estirpes. Seguindo o conselho de Murrow, Don Wilson, pastor da Christ's Church of the Valley na Peoria, Arizona, levou todo o seu ministério na meta de alcançar os homens jovens. E mesmo seu ministério não atendendo homens particularmente, Mark Driscoll, pastor da Mars Hill Church de Seatle, deseja mais testosterona no Cristianismo contemporâneo. Na opinião de Driscoll, a igreja tem produzido “um bando de garotos bonzinhos, delicados, sensíveis e emasculados. 60% dos cristãos estão efeminados,” ele explica, “e os 40% restantes são caras assexuados.”

O aspecto da igreja que os homens acham menos atraente é a concepção de Jesus. Driscoll fala sobre isso sem rodeios no seu sermão “Death by Love”em 2006 na conferência de teologia Resurgence (Disponível em TheResurgence.com). De acordo com Driscoll, homens de verdade evitam a igreja porque ela projeta um “Jesus hippie, com cara de Richard Simmons e esquisitão” pelo qual “ninguém viveria ou morreria.” Driscoll explica, Jesus não foi um cara cabeludo e efeminado”; na verdade ele tinha as mãos calejadas e um braço musculoso.” Esse é o tipo de Cristo que atrai os homens — o que Driscoll chama de “Ultimate Fighting Jesus.”

Paul Coughlin, autor de No More Christian Nice Guy (Bethany House, 2005), concorda: O problema com o Jesus fracote da imaginação popular é que “um Jesus dócil e meigo é indiscutivelmente chato e incapaz de nos inspirar.”

Eu respeito o que esses autores estão procurando fazer. Eles reconhecem que o Jesus da Bíblia — ao contrário do Jesus da arte e música cristã contemporânea — não tinha medo de denunciar, desafiar e ofender. Afinal de contas, ele chamou os fariseus de víboras e Pedro de Diabo. Assim, a maior contribuição do movimento é identificar o modo como a igreja reduziu a doutrina cristã a obediência dos próprios costumes. Murrow está certo; grande parte da experiência típica da igreja é ser “doce e sentimental, educado e bonzinho.” Para esses autores, bonzinho é um palavrão que resume a digressão da igreja da doutrina radical para a simples moralização. Em suma, o movimento nos lembra no que Jesus e Paulo insistiram: O evangelho é uma ofensa e a doutrina é um convite para a cruz.

Re-masculinizando Jesus

The Church Impotent: The Feminization of The Church
O método do movimento de recuperar a radicalidade do Evangelho, no entanto, representa uma ameaça real para a doutrina cristã. Estes autores vêem a fixação da Igreja sobre a moralidade como parte integrante da feminização da igreja, e eles sugerem que a solução é injetar uma forte dose de testosterona na igreja. Em outras palavras, permitir que as mulheres criassem Jesus a sua imagem emasculou-o; sendo assim, recuperar a imagem bíblica de Cristo é tão simples quanto re-masculinizá-lo.

A solução do movimento masculino assume que Jesus veio para modelar a verdadeira masculinidade. Os autores não dizem isso explicitamente, mas a retórica utilizada assume que os instintos masculinos são inerentemente divinos. Em Wild at Heart Eldredge afirma, “Nunca nos foi dito para matar o verdadeiro homem dentro de nós, nunca nos disseram para nos livrarmos dos desejos por batalhas, aventuras e beleza.” O GodMen repete o tema: Nossa masculinidade não foi reduzida por acreditarmos (…) que somos tementes e preparados maravilhosamente.” Essas declarações implicam que quando a igreja adota a psicologia masculina, ela atinge seu propósito, mas quando ela se conforma com uma psique supostamente feminina se torna uma aberração.

Murrow procura evitar essa conclusão insistindo que a igreja é mais saudável quando se parece com um bolo mármore, com a masculinidade e a feminilidade presente em partes iguais. Mas o que ele dá com uma mão ele tira com a outra. Ele diz que as mulheres acreditam que o propósito do cristianismo é encontrar “uma relação feliz com um homem maravilhoso”- Jesus - Ao passo que os homens reconhecem o chamado divino para “salvar o mundo das causas impossíveis.” Enquanto ele afirma ter uma história do seu lado. Quando a igreja era masculina ela cumpria seu propósito. Mas no século 19, as mulheres “começaram a modelar a igreja a sua própria imagem” (e elas continuam a fazê-lo), o que desviou a igreja do seu propósito.

Driscoll chega mais perto ao imaginar Jesus como o modelo de masculinidade quando ele argumenta que “motoristas dirigindo um Cabriolet enquanto bebem leite com pêra” não representam a masculinidade bíblica, porque homens de verdade – como Jesus, Paulo e João Batista – são “machos: heterossexuais, briguentos do tipo que não levam desaforo para casa.” Em outras palavras, porque Jesus não é um “riponga efeminado,” o homem criado a sua imagem não é um frouxo afrescalhado: eles são agressivos, assertivos e de poucas palavras.

Eu tenho minhas dúvidas quando os únicos modelos possíveis são “metrossexual” e “lutador de vale tudo.” Como Jesus eu trabalhei como carpinteiro, e suei cortando lenha. Mas eu não meço minha masculinidade pela grossura do meu pescoço, eu não suaria para ganhar a vida. Estou mais feliz quando leio e escrevo. Eu gosto de leite com pêra.

Além de oferecer uma visão estreita de masculinidade, essa estrutura exclui as mulheres totalmente da doutrina real. Para começar, isso põe a culpa nela pela palavra consoladora. Deixada a cargo delas, a igreja se torna boa,  afirmativa e perde sua visão para alcançar o mundo. Pior ainda, se Cristo é o modelo de masculinidade, logo as mulheres não podem imitá-lo. Elas podem persegui-lo como o amante de suas almas. Elas podem imitar sua devoção ao Pai nas relações com seus maridos. Mas não podem vir a se tornar como ele na essência.

Jesus, Plenamente Humano

Felizmente para as mulheres e homens, a Bíblia nunca fala dos cristãos como homens e mulheres reformados, mas como criaturas totalmente novas (2 Coríntios. 5:17). A queda fez mais danos ao coração humano do que o movimento masculino parece disposto a admitir. Por exemplo, as inclinações naturais do homem pode levá-lo a ser o “Mandão, Audacioso, Impetuoso, Valentão e Bronco” como um dos ditos do GodMen sugere. Mas a maioria destas são qualidades do antigo homem que são destruídas quando é transformado na imagem de Cristo. O desejo de um homem para a batalha, com o punho ou a caneta - pode muito bem ser natural, mas isso não os torna divinos automaticamente. Em outras palavras, a conversão não santifica nossos instintos; ao contrário, ela exige a submetermos todos os nossos instintos para o pastoreio de Cristo e crucificar os pecados, o que Paulo chama de "carne" (Ef. 2).

Mais importante, as escrituras não dão qualquer indicação de que Jesus veio a Terra para modelar a masculinidade. Ele é a “imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Col. 1:15). E como tal, ele não é simplesmente o homem perfeito; ele é o ser humano perfeito. Através de sua obediência ao Pai, Cristo exibiu as qualidades que devem caracterizar todos os que nele crêem, tanto homens quanto mulheres.

A entrada triunfal de Jesus é corriqueiramente considerada a evidência da essência de sua masculinidade. Parece razoável: Enfurecido pela blasfêmia no templo dos sacerdotes, Jesus vira as mesas e chicoteia os mercadores numa demonstração de agressão justificada. Mas a história deve ser compreendida no contexto do evangelho de Lucas completo. Em Lucas (13:34), Jesus descreve seu amor por Jerusalém em termos maternais. Ele quis reunir Israel “como uma galinha acolhe seus pintinhos debaixo da asa.” Antecipando sua entrada final em Jerusalém, ele diz que visitará o Templo de Jerusalém quando o povo proclamar “Abençoado é aquele que vem em nome de Deus!” No que ele chega próximo a cidade em Lucas 19, ele chora com seus discípulos. Apenas após isso ele persegue os mercadores do templo. Em outras palavras, a limpeza do templo foi premeditada - e não uma explosão de raiva masculina, mas uma expressão apaixonada e simbólica do julgamento de Deus.

Meu ponto é o seguinte: Se Adão e Eva ilustram as diferenças essenciais entre o homem e a mulher, Cristo destaca a unidade essencial deles. Todos os cristãos são chamados a imitar Cristo exibindo as mesmas qualidades; Paulo não faz distinções entre os frutos masculinos e femininos do espírito. De fato, a evidência do trabalho espiritual é bem diferente das qualidades que o movimento masculino tipifica como um homem de “verdade”. Ao invés de “impetuoso, ofensivo” (Stine), “auto-suficiente, competitivo” (Murrow), “agressivo” (Driscoll), Paulo diz que aqueles que estiverem cheios do espírito santo serão amáveis, pacientes, pacíficos, generosos e gentis.

O movimento masculino gostaria que imitássemos o Jesus glorificado – aquele que retornará montado em um cavalo e brandindo a espada do julgamento final. Esse certamente é o Jesus que veneramos. E não o Jesus que somos ordenados a imitar. As únicas vezes que Jesus aparece nas escrituras como um guerreiro são em suas aparições pré-incarnadas no velho testamento e na glória pós-ressureição. Nosso modelo de comportamento é o Filho sofrido, não o glorificado. A humanidade na imagem de Cristo não é agressiva e combativa; é humilde e pobre (Fil. 2:5). Somos mais parecidos com Cristo não quando ganhamos uma luta, mas quando sofremos por causa da justiça (Efé. 5:1-2) (Tess. 1:6; 2:14).

Argumentar por características comuns entre homens e mulheres é diferente de reivindicar por papéis idênticos. Eu quero enfatizar as diferenças significantes entre homens e mulheres ou os desafios distintos que homens e mulheres encaram na doutrina. Se a coragem é algo de Cristo, então tanto homens quanto mulheres devem desenvolver a coragem, mesmo que o modo como ambos a desenvolvam possa se diferenciar. Em outras palavras, devemos desconfiar de qualquer interpretação das escrituras que simplesmente confirma os nossos instintos. Se é mais natural para um homem ser agressivo e para uma mulher ser passiva, então um genuíno encontro com Cristo deve desafiar o homem a ser gentil (Gal. 5:23) e uma mulher a ser forte (2 Tim. 1:7). O desafio da doutrina se aplica tanto a homens quanto a mulheres.

A Virilidade Verdadeira

De fato, Jesus não tinha medo de ofender e repreender. Ele nunca foi gentil em detrimento da verdade. E essas qualidades não são apenas masculinas; elas são divinas. Impor qualidades que consideramos masculinas na imagem de um Jesus que consideramos feminino não resolve o problema. Ele só nos dá um novo problema - outro Jesus culturalmente moldado, puramente masculino dessa vez.

O jeito de recuperarmos a imagem do Jesus Bíblico é sugerirmos aos padres e pastores que falem nos cultos/missas sobre as demonstrações de masculinidade e virilidade de Jesus ao invés de se focarem somente no aspecto da Graça e Compaixão de Cristo. No processo, devemos lembrar que o propósito da doutrina vai além de se tornar primariamente homem ou mulher por inteiro, faz parte da doutrina ser transformado na imagem de Cristo. No fim das contas, a imagem do Jesus Bíblico apresenta um modelo mais radical do que o Homem Jesus. Jesus era corajoso, honesto e destemido. Ainda assim sua força era medida tanto pela sua prontidão em socar malfeitores na boca, quanto em seu sofrimento na mão dos fracos pelo seu bem. Onde tal força é encontrada - seja num homem ou numa mulher, num bebedor de leite com pêra ou num bronco – essa é a força divina.

[*] Traduzido com algumas adaptações

Leia também:
Interesses Feministas na Auto-Avaliação da Masculinidade
Os Homens do Faroeste: Os Valores Masculinos Através de Filmes
Acusações Falsas de Estupro se Tornam Comuns
Misândria na Educação: A Histeria Estuprista Promovida Por Diretoras e Professoras 

* * * * * *
Uma questão importante que ficou de fora desse texto é “Com o que se parece a masculinidade equilibrada e como alcançá-la?”

Felizmente o Padre Paulo Ricardo aponta os caminhos:



domingo, 4 de maio de 2014

Interesses Feministas na Auto-Avaliação da Masculinidade


Fonte [*]

Um dos tópicos mais polêmicos nas conversas sobre gênero é a forma como os homens estão mudando no século 21 ou o que algumas pessoas se referem como “a Nova Masculinidade.” Esta pode ser definida como uma alternativa, ou futura safra de homens ou valores masculinos na sociedade ocidental que se destina a desviar ou dissociar-se da masculinidade histórica e/ou tradicional e dos valores masculinos. A “masculinidade tradicional” é constantemente definida pelas feministas como algo destrutivo e/ou prejudicial para a sociedade moderna em geral, e para as mulheres e crianças em particular. Uma faceta dessa discussão, que tem recebido um foco especial, é a forma como os homens estão rejeitando os papéis tradicionais de gênero e abandonando as expectativas da sociedade que têm “definido” a masculinidade.

Como muitas pessoas que acompanham as discussões do Men's Rights Activism [MRA] devem ter notado, as discussões sociais dos papéis de gênero e os “chamados” valores masculinos são secundários nos debates principais do MRA sobre desigualdade jurídica. No entanto, é recomendável que nos dediquemos a esse tipo de discussão, especialmente por causa dos recentes ataques contra os homens no geral, e também direcionados a muitos de nós (especialmente nossos irmãos mais novos), por rejeitar seus papéis tradicionais como provedores da família e até mesmo por rejeitar o conceito da família tradicional. À luz das atuais mudanças econômicas e sociais no panorama ocidental de gênero (EUA, em particular), o destino da “Nova Masculinidade” é de grande interesse para as feministas de todas as vertentes e, se quisermos continuar a sermos relevantes no nosso próprio futuro, devemos nos interessar pelo assunto também.

Quando as mulheres começaram a rejeitar seus papéis históricos na “família tradicional,” isso foi elogiado como um avanço na agenda progressista [para as mulheres e a igualdade]. Mas quando os homens começaram a fazer o mesmo, de repente, a mesma ação foi enquadrada como uma outra maneira dos homens oprimirem as mulheres. O feminismo está divulgando-se como sendo o único guardião do re-exame de gênero para ambos os sexos e evidências demonstram que há uma oposição significativa contra os homens que tomam os mesmos passos em direção a sua própria redescoberta assim como as mulheres fizeram - especialmente sem a supervisão feminista. Você sempre lê sobre as feministas que buscam eliminar os papéis de gênero que se ligam tanto a homens quanto mulheres. Você provavelmente esperaria que as feministas comemorassem que os homens estejam buscando caminhos para além dos papéis tradicionais de gênero. Mas como os dois artigos mostram, este não é o caso.

Eu postulo que os artigos acima ilustram e tipificam um ponto de vista feminista significativo sobre os homens reexaminarem e redefinirem a sua idéia de masculinidade, bem como rejeitar as expectativas tradicionais femininas. E o que esses artigos e outros como eles mostram é que as feministas como Hymowitz, Marcotte e outros (incluindo homens feministas como Jackson Katz e Hugo Schwyzer) não gostam nem um pouco. E, assim, as verdadeiras motivações de um número significativo de feministas (da segunda onda e adiante) são reveladas. O feminismo deles foi um movimento destinado a redefinir as convenções de gênero em favor de uma agenda política. De acordo com o feminismo deles, as mudanças políticas e sociais que estavam sendo implementadas foram feitas para as mulheres se superarem.

No entanto, as necessidades dos homens foram desconsideradas nessas mudanças amplamente forjadas na sociedade ocidental e mesmo agora, as preocupações e as necessidades do sexo masculino são um adendo para aqueles que continuam a comandar o avanço e a manutenção dessas mudanças. Além disso, como esses dois artigos e muitos, muitos, outros artigos semelhantes de pensadoras feministas [de convicções idênticas] sugerem, as considerações e necessidades dos homens ainda são apenas secundárias em relação as considerações e necessidades das mulheres. Mas agora que os homens estão fazendo a mesma coisa, é um grande problema (...) para as mulheres. Como as mulheres na década de 70, os homens não querem se tornar os “provedores da família,” ou até mesmo se envolver no ato de criar famílias. Além disso, eles não desejam abraçar os papéis históricos que os homens detêm na sociedade humana. Eles buscam a garantia de seus próprios interesses e aprendem a aproveitar a vida fora da “corrida destrutiva” do trabalho, que tem sido o objetivo tradicional dos homens ocidentais. Mas pior ainda, aqueles homens que ainda optam por seguir esse caminho tradicional encontraram cada vez mais obstáculos econômicos, legais e sociais impedindo-os de fazê-lo. Apesar das questões relacionadas com as mudanças que os homens têm experimentado recentemente com a economia, a saúde mental, física e social as motivações primárias para estes artigos recentes que examinam esses problemas com os homens “abandonando” a sociedade e tornando-se desempregados e sem instrução, é a forma como estes problemas afetam as mulheres.

Ainda não acredita no que digo sobre as feministas se irritarem quando os homens começam a fazer as “perguntas erradas?” Procure se informar sobre o Good Men Project [GMP] e seu fundador, Tom Matlack. Seus antigos “aliados” feministas o atacaram coletivamente como uma piranha ferida por causa de uma conversa que teve com eles (Marcotte, Harding, Ponzer, Schwyzer, entre outros... incluindo a culturalmente irrelevante Rosanne Barr) onde fez uma pergunta simples, ele perguntou: “Por que as mulheres não podem aceitar os homens como eles realmente são? Um bom homem se parece mais como uma mulher ou é verdadeiramente masculino?

Toda esta situação é composta de um truísmo: aliados feministas masculinos são bem-vindos, desde que eles sejam úteis e saibam o seu lugar. Tom Matlack ficou empolgado demais com suas amigas feministas “igualitárias” que esqueceu de si mesmo, e o resultado tem sido um caos perigosissímo instalado no GMP. Matlack e seu CEO, Lisa Hickey têm feito de tudo para salvar o GMP dos constantes ataques desferidos pelas feministas. Se eles viessem me pedir conselhos, eu diria a eles para terem culhões, suportarem os ataques, e manterem suas convicções. Mas não acredito que eles terão coragem para fazer algo desse tipo...

Cada vez mais a percepção pública dos homens é progressivamente menos favorável do que no passado. Comerciais mostram os homens como palhaços sem esperança ou intrometidos desalmados. Poucos “filmes românticos” colocam os homens sob uma perspectiva equivalente ao de suas co-estrelas femininas. No entanto, alguns diretores estão rompendo com esse estereótipo e mostrando homens mais realistas. Homens como Judd Apatow (que Hymowicz menciona em seu artigo), Greg Mottola, e Seth Rogen, fizeram suas carreiras satirizando a “nova masculinidade.” Mas esses filmes fazem questão de mostrar o contraste masculino entre falhas pessoais e, a aceitação da própria masculinidade de uma forma que, eventualmente, mostra de boa fé os homens que eles realmente são. Em suma, estes cineastas estão usando seus filmes para examinar os valores masculinos sob um pontos de vista próprio [isto é, sem passar por uma supervisão feminista] e, portanto, algumas feministas (como as mencionadas anteriormente) ficam de picuinha com esses filmes.

O que isso tudo revela é que há um problema dentro do feminismo com os homens tentando alcançar a consciência e transcender as limitações históricas impostas ao nosso sexo. Enquanto há feministas por aí que provavelmente não concordam com o que está sendo feito com os homens, em nome do feminismo, até que elas finalmente se encham de coragem para falar e fazer algo a respeito de suas colegas misândricas, elas serão igualmente cúmplices deste ato de marginalização flagrante.

No entanto, há algo além disso: estamos nos tornando eficazes o suficiente para deixar muitas dessas feministas preocupadas ao ponto delas estarem trabalhando ativamente para tentar nos impedir de buscar a nossa própria iluminação fora do paradigma feminista. Homens estão procurando, cada vez mais, seu próprio caminho para transcender as expectativas tradicionais que foram colocadas em cima de nós onde muitas dessas feministas estão tentando nos manter.

Os homens precisam encontrar uma maneira de resolver a confusão que a masculinidade se tornou. E o primeiro passo é dar um fim à noção pitoresca de que a resposta para os direitos dos homens é “mais feminismo.” É como dizer que a resposta para o câncer de pulmão são mais cigarros. Todos nós precisamos lidar com isso como “irmãos”; nós precisamos nos reunir e resolver os problemas que envolvem o nosso sexo. Precisamos procurar as pessoas que estão se preocupando com essas questões e nos unirmos a eles para encontrar as respostas. Precisamos apoiar uns aos outros como homens e machos. Precisamos ser mentores para os nossos filhos, irmãos dos homens de todos os credos e cores, e o mais importante, precisamos estar dispostos a abraçar os modos emergentes de vida masculina. E mais importante, precisamos fazê-lo antes que as feministas façam isso por nós.

Podemos fazer isso... como homens e como irmãos.

[*] traduzido com algumas adaptações.

* * * * * *

O caminho para se resolver a confusão que a masculinidade se tornou é rejeitar com veemência os resultados da revolução sexual que beneficiam apenas a agenda política esquerdista pois tanto a desigualdade jurídica, a decadência moral e os movimentos pela legalização e normalização de perversões sexuais partem diretamente da institucionalização das mudanças proporcionadas pela revolução sexual. Um passo importante a se dar, e complementar ao sugerido no artigo, é recorrer a sabedoria milenar independente das crenças religiosas que o leitor tenha e aspirar às virtudes cardeais.

O vídeo abaixo apresenta uma reflexão do Padre Paulo Ricardo sobre o novo modelo de masculinidade adotado pelo pensamento moderno:


domingo, 29 de dezembro de 2013

Refutando o radicalismo feminista e a ideologia de gênero


O autor desse belíssimo artigo é o filósofo inglês Roger Scruton. Ele é um dos muitos decentes que orgulham essa categoria. De 67 anos, é presença constante nos debates realizados em seu país quando é preciso ter na mesa um pensador independente e corajoso. Autor de 42 livros de ensaios, é uma pedra no sapato da ideologia politicamente correta que predomina bovinamente na Europa. No artigo a seguir, com grande honestidade, expõe e divaga acerca da falácia do argumento feminista de "ideologia de gênero", segundo o qual o gênero seria uma mera construção cultural.

As feministas têm batido na mesma tecla em relação à posição das mulheres nas sociedades modernas. Mas e sobre os homens?

As mudanças radicais nos hábitos sexuais, padrões de trabalho e vida doméstica, viraram sua vida de cabeça para baixo. Os homens agora não encontram as mulheres como “sexo frágil”, mas como concorrentes de igualdade na esfera pública, a esfera onde os homens costumavam comandar. E na esfera privada, onde uma antiga divisão do trabalho dava orientação para aqueles que cruzassem seu limite, não há conhecimento sobre qual estratégia será a mais eficaz.

Gestos viris – abrir uma porta para uma mulher, ajudá-la num automóvel, carregar suas malas – podem desencadear rejeição ultrajante; mostra de riqueza, poder ou influência pode parecer ridícula para uma mulher que tem até mais do que ele; e o desaparecimento da modéstia feminina e da contenção sexual tornou difícil para um homem acreditar, quando uma mulher recua aos seus avanços, que ela faz isso como uma homenagem especial ao seu poder masculino, ao invés de uma transação do dia-a-dia, em que ele, como a última, é dispensável.

A revolução sexual não é a única causa da confusão dos homens. Mudanças sociais, políticas e legais têm diminuído a esfera masculina até o ponto do desaparecimento, redefinindo toda a atividade em que os homens um dia provaram que eram indispensáveis, de modo que agora as mulheres podem fazer o trabalho também, ou pelo menos parecem fazê-lo.

As feministas têm farejado o orgulho masculino onde quer que ele tenha crescido e o arrancado impiedosamente. Sob pressão, a cultura moderna tem diminuído ou rejeitado tais virtudes masculinas como a coragem, tenacidade e bravura militar em favor dos hábitos mais suaves, mais “socialmente inclusivos”.

O advento da fertilização in vitro e a promessa de clonagem criam a impressão de que os homens não são nem mesmo necessários para a reprodução humana, enquanto o crescimento das famílias monoparentais – nas quais a mãe é o único adulto, e o Estado é muitas vezes o único provedor – fez com que a infância órfã de pai se tornasse uma opção cada vez mais comum.

Essas mudanças ameaçam fazer da masculinidade algo desnecessário, e agora muitas crianças já crescem sem reconhecer nenhuma fonte de amor, autoridade ou de orientação além da mãe, cujos homens vêm e vão como trabalhadores sazonais, vagando pelo reino matriarcal, sem perspectiva de uma posição permanente.

A infelicidade dos homens decorre diretamente do colapso de seu antigo papel social como protetores e provedores. Para as feministas, este antigo papel social era uma maneira de confinar as mulheres à família, onde elas não concorreriam pelos benefícios disponíveis lá fora. Sua destruição, elas afirmam, é, portanto, uma libertação não só das mulheres, mas dos homens, também, que agora podem escolher se querem afirmar-se na esfera pública, ou se, pelo contrário, querem ficar em casa com o bebê (que pode muito bem ser bebê de outro alguém). Esta é a idéia central do feminismo, que “os papéis de gênero” não são naturais, mas culturais, e que mudando tais papéis podemos derrubar velhas estruturas de poder e conseguir formas novas e mais criativas de ser.

O ponto de vista feminista é a ortodoxia em toda a academia norte-americana, e ele é a premissa de todo o pensamento jurídico e político entre a elite esquerdista, cujos dissidentes que se opõem colocam em perigo sua reputação ou carreiras. No entanto, uma onda de resistência a ela está ganhando força entre os antropólogos e sociobiólogos.

Típico é Lionel Tiger, que há três décadas inventou o termo “vínculo masculino” para designar algo que todos os homens precisam, e que poucos agora têm. Não foi uma convenção social que ditou o papel tradicional do homem e da mulher, Tiger sugere; em vez disso, os milhões de anos de evolução que formaram a nossa espécie fizeram-nos o que somos. Você pode fazer os homens fingirem ser menos dominantes e menos agressivos, você pode fazer com que eles finjam aceitar um papel submisso na vida doméstica e uma posição de dependência na sociedade. Mas, no fundo, no fluxo da vida instintiva que é a masculinidade em si, eles irão revoltar-se. A infelicidade dos homens, Tiger argumenta, vem deste profundo e inconfessado conflito entre faz-de-conta social e necessidade sexual. E quando a masculinidade finalmente explodir – como inevitavelmente acontecerá – será em formas distorcidas e perigosas, como as gangues de criminosos da cidade moderna ou a misoginia arrogante do malandro urbano.

Tiger vê o sexo como um fenômeno biológico, cuja profunda explicação reside na teoria da seleção sexual. Cada um de nós, ele acredita, age em obediência a uma estratégia integrada em nossos genes, que procuram a sua própria perpetuidade através do nosso comportamento sexual. Os genes de uma mulher, que é vulnerável no trabalho de parto e necessita de apoio durante os anos da educação infantil, chamam um companheiro que irá protegê-la e sua prole. Os genes de um homem exigem uma garantia de que as crianças que provê são suas, senão todo o seu trabalho é (do ponto de vista dos genes) desperdiçado. Assim, a própria natureza, trabalhando através de nossos genes, decreta uma divisão de papéis entre os sexos. Predispõe os homens para lutar por território, para proteger suas mulheres, para afastar rivais, e lutar por status e reconhecimento no mundo público – o mundo onde os homens combatem. Isso predispõe as mulheres a serem fiéis, privadas e dedicadas ao lar. Ambas as disposições envolvem o trabalho em longo prazo de estratégias genéticas – estratégias que não cabe a nós as mudar, já que somos o efeito e não a causa delas.

As feministas, obviamente, não terão nada disso. A Biologia pode certamente atribuir-nos um sexo, na forma deste ou daquele órgão. Mas muito mais importante do que nosso sexo, elas dizem, é o nosso “gênero” – e gênero é uma construção cultural, não um fato biológico.

O termo “gênero” vem da gramática, onde é usado para distinguir os substantivos masculinos dos femininos. Ao importá-lo para a discussão do sexo, as feministas indicam que nossos papéis sexuais são fabricados e, portanto, maleáveis como a sintaxe. O gênero inclui os rituais, hábitos e imagens através dos quais nós representamos a nós mesmos aos outros como seres sexuais. Não se trata de sexo, mas da consciência do sexo. Até aqui, dizem as feministas, a “identidade de gênero” das mulheres é algo que os homens impuseram sobre elas. Chegou a hora das mulheres forjarem sua própria identidade de gênero, para refazer a sua sexualidade como uma esfera de liberdade, em vez de uma esfera de escravidão.

Levado ao extremo – e o feminismo leva tudo ao extremo – a teoria reduz o sexo a uma mera aparência, com o gênero como realidade. Se, depois de ter forjado sua verdadeira identidade de gênero, você encontra-se alojado no tipo errado do corpo, então é o corpo que tem de mudar. Se você acredita ser uma mulher, então você é uma mulher, não obstante o fato de você ter o corpo de um homem. Daí que os médicos, em vez de observar as operações de mudança de sexo como uma violação grosseira do corpo e, na verdade uma espécie de agressão, agora as homologa e, na Inglaterra, o Serviço Nacional de Saúde paga por elas. Gênero, na concepção radical que as feministas tem disso, começa a soar como uma perigosa fantasia, um pouco como as teorias de genética de Lysenko, o biólogo preferido de Stalin, que argumentou que características adquiridas poderiam ser herdadas, por isso o homem poderia moldar sua própria natureza, com plasticidade quase infinita. Talvez devamos substituir a velha pergunta que James Thurber colocou diante de nós no início da revolução sexual com um equivalente novo: não “O Sexo é Necessário?”, mas “O Gênero é possível?

Em certa medida, no entanto, as feministas têm razão em distinguir sexo de gênero e dar a entender que somos livres para rever as nossas imagens do masculino e do feminino. Afinal, o argumento dos sociobiólogos descreve com precisão as semelhanças entre as pessoas e os macacos, mas ignora as diferenças. Animais na selva são escravos de seus genes. Os seres humanos na sociedade não são. Toda a questão da cultura é que ela nos faz algo mais do que criaturas de simples biologia e nos coloca no caminho para a auto-realização. Onde na sociobiologia está o ser, suas escolhas e sua realização? Certamente os sociobiólogos estão errados ao pensar que os nossos genes por si só determinam os papéis sexuais tradicionais.

Mas, assim como certamente as feministas estão erradas ao acreditar que estamos completamente livres da nossa natureza biológica e que os papéis sexuais tradicionais surgiram apenas a partir de uma luta social pelo poder em que os homens saíram vitoriosos e as mulheres foram escravizadas. Os papéis tradicionais existem, a fim de humanizar nossos genes e também para controlá-los. O masculino e o feminino eram ideais, através dos quais o animal foi transfigurado no pessoal. A moralidade sexual foi uma tentativa de transformar uma necessidade genética em uma relação pessoal. Ela já existia justamente para impedir os homens de dispersar suas sementes pela tribo, e para evitar que as mulheres aceitassem a riqueza e o poder, ao invés do amor, como o sinal para a reprodução. Foi a resposta cooperativa a um desejo profundo, tanto do homem quanto da mulher, para a “parceria”, que vai tornar a vida significativa.

Em outras palavras, homens e mulheres não são apenas organismos biológicos. Eles também são seres morais. A Biologia estabelece limites para o nosso comportamento, mas não determina isso. A arena formada por nossos instintos apenas define as possibilidades entre as quais temos de escolher se queremos ganhar o respeito, aceitação e amor um do outro.

Homens e mulheres moldaram-se não apenas com a finalidade de reprodução, mas a fim de trazer dignidade
e bondade para as relações entre eles. Com esta finalidade, eles têm criado e recriado o masculino e o feminino, desde que eles perceberam que as relações entre os sexos devem ser concretizadas por meio de
negociação e consenso, e não pela força. A diferença entre a moral tradicional e feminismo moderno é que a primeira pretende reforçar e humanizar a diferença entre os sexos, enquanto o segundo quer reduzir ou até mesmo aniquilá-la. Nesse sentido, o feminismo é realmente contra a natureza.

No entanto, ao mesmo tempo, o feminismo parece ser uma resposta inevitável para o colapso da moralidade sexual tradicional. As pessoas aceitam prontamente os papéis tradicionais quando a honra e a decência os sustentam. Mas por que as mulheres devem confiar nos homens, já que os homens são tão rápidos em descartar as suas obrigações? O casamento foi um dia permanente e seguro; ele oferecia à mulher status social e de proteção, muito tempo depois que ela deixasse de ser sexualmente atraente. E forneceu uma esfera na qual ela era dominante. O sacrifício que o casamento permanente exigiu dos homens tornou tolerável para mulheres o monopólio masculino sobre a esfera pública, na qual os homens competiam por dinheiro e recompensas sociais.

Os dois sexos respeitavam o território do outro e reconheciam que cada um deve renunciar a algo para benefício mútuo. Agora que os homens, na esteira da revolução sexual se sentem livre para ser polígamo em série, as mulheres não têm mais um território seguro próprio. Elas não têm escolha, portanto, senão captar o que elas podem do território que um dia foi monopolizado pelos homens.

Foi uma das grandes descobertas da civilização a de que os homens não ganham a aceitação das mulheres pela exibição impetuosa de sua masculinidade em gestos agressivos e violentos. Mas eles ganham aceitação sendo cavalheiros. O cavalheiro não era uma pessoa com o gênero feminino e o sexo masculino. Ele era inteiramente um homem. Mas ele também era gentil em todos os sentidos desta palavra brilhante. Ele não era agressivo, mas corajoso, não possessivo, mas protetor, não agressivo com outros homens, mas ousado, calmo, e pronto para concordar com os termos. Ele era animado por um senso de honra, que significava assumir a responsabilidade por suas ações e proteger aqueles que dependiam dele. E o seu atributo mais importante era a lealdade, o que implicava que ele não iria negar as suas obrigações apenas porque ele estava em posição de lucrar com isso.

Grande parte da raiva das mulheres com relação aos homens surgiu porque o ideal do cavalheiro está agora tão perto da extinção. O entretenimento popular tem apenas uma imagem da masculinidade para apresentar aos jovens: e é uma imagem de agressividade desenfreada, na qual armas automáticas desempenham um papel importante e em que a gentileza, sob qualquer forma aparece como uma fraqueza e não como uma força. Até que ponto isso é distante daqueles épicos do amor cortês, que colocaram em marcha uma tentativa europeia de resgatar a masculinidade da biologia e remodelá-la como uma idéia moral, não precisa de elaboração.

Não foram apenas a classes superiores, que idealizaram a relação entre os sexos ou moralizaram seus papéis sociais. Na comunidade da classe trabalhadora a partir da qual a família de meu pai veio, a velha reciprocidade era parte da rotina da vida doméstica, encapsulada em mostras de reconhecida força masculina e feminina. Um desses era o ritual do envelope de salário da sexta-feira. Meu avô chegava em casa e colocava na mesa da cozinha o envelope fechado contendo o seu salário. Minha avó pegava o envelope e o esvaziava passando o conteúdo para sua carteira, devolvendo para meu avô duas moedas para ele beber. Meu avô, então, ia ao bar e bebia em um estado de auto-afirmação orgulhosa entre seus pares. Se as mulheres chegassem ao bar elas permaneciam na porta, comunicando-se através de um mensageiro com as salas cheias de fumo no interior, mas respeitando o limiar dessa arena masculina, como se fosse guardada por anjos.

O gesto do meu avô, quando ele colocava o envelope com o salário na mesa da cozinha, estava imbuído de uma graça peculiar: era um reconhecimento da importância da minha avó como uma mulher, do seu direito à sua consideração e do seu valor como mãe de suas crianças. Da mesma forma, a sua espera fora do bar até o momento final, quando ele estaria demasiado inconsciente para sofrer esta humilhação, antes de transportá-lo para casa num carrinho de mão, era um gesto repleto de consideração feminina. Era sua maneira de reconhecer a sua soberania inviolável como um assalariado e um homem.

Cortesia, boas maneiras, e fazer a corte eram muitas portas até a corte do amor, onde os seres humanos se moviam como em um desfile. Meus avós foram excluídos pelo seu modo de vida do proletariado de todas as outras formas de cortesia, razão pela qual esta era tão importante. Era a sua abertura para um encantamento que eles não poderiam obter de outra maneira. Meu avô tinha pouco de si para recomendar a minha avó, além de sua força, boa aparência e comportamento viril. Mas ele respeitava a mulher nela e desempenhou o papel de cavalheiro da melhor maneira possível, cada vez que ele a acompanhava para fora de casa. Daí a minha avó, que não gostava dele intensamente, – pois ele era ignorante, complacente, e bêbado, e manteve-se entre o limiar de sua vida como um obstáculo inamovível para o avanço social – no entanto, o amava apaixonadamente como homem. Este amor não poderia ter durado se não fosse o mistério do gênero. A masculinidade do meu avô o separou de uma esfera de soberania própria, assim como a feminilidade da minha avó a protegia de sua agressividade. Tudo aquilo que eles conheciam como virtude havia sido aplicado a tarefa de permanecer de algum modo misterioso ao outro. E nisso eles foram bem sucedidos, como foram bem sucedidos em algumas coisas mais.

Uma divisão similar de esferas ocorreu em toda a sociedade, e em cada canto do globo. Mas o casamento era a sua instituição central, e o casamento dependia da fidelidade e da contenção sexual. Os casamentos não duraram apenas porque o divórcio era reprovado, mas também porque o casamento era precedido por um longo período de namoro, em que o amor e a confiança criavam raízes antes da experiência sexual. Este período de namoro era também o de exibição, no qual os homens mostravam sua masculinidade e as mulheres sua feminilidade. E é isso que significa, ou deveria significar, a “construção social” do gênero. Por encenação, os dois parceiros preparavam-se para os seus papéis futuros, aprendendo a admirar e valorizar a separação de suas naturezas. O homem cortês deu glamour ao personagem masculino, assim como a mulher cortês deu mistério para o feminino. E algo desse glamour e mistério permaneceu depois, um tênue halo de encantamento que fez com que um encorajasse o outro ao distanciamento que ambos tanto admiravam.

O casamento não se limita a servir às estratégias reprodutivas dos nossos genes, que atendem a necessidade de reprodução da sociedade. Serve também ao indivíduo em sua busca de uma vida e satisfação própria. Sua capacidade de ordenar e santificar o amor erótico vai além de qualquer coisa exigida pelos nossos genes. Como a nossa moralidade iluminista corretamente insiste, nós também somos seres livres, cuja experiência é completamente qualificada por nosso senso de valor moral. Nós não respondemos uns aos outros como animais, mas como pessoas, o que significa que, mesmo no desejo sexual, a liberdade de escolha é essencial ao objetivo.

O objeto de desejo deve ser tratado, nas famosas palavras de Kant, não apenas como um meio, mas como um fim. Daí o verdadeiro desejo sexual é o desejo por uma pessoa, e não pelo sexo, concebido como um produto generalizado. Nós cercamos o ato sexual com restrições e proibições que não são de maneira alguma ditados pela espécie, precisamente de modo a concentrar os nossos pensamentos e desejos sobre o ser livre, ao invés de concentrar no mecanismo corporal. Nisto somos imensamente superiores aos nossos genes, cuja atitude em relação ao que está acontecendo é, por comparação, mera pornografia.

Mesmo quando a visão sacramental do casamento começou a minguar, a humanidade ainda mantinha os sentimentos eróticos à parte, como as coisas demasiado íntimas para discussão pública, que só podem ser maculadas por sua exibição. A castidade, a modéstia, a vergonha e a paixão eram parte de um drama artificial, mas necessário. O erotismo foi idealizado a fim de que o casamento devesse perdurar. E o casamento, entendido como nossos pais e avós entendiam, era uma fonte de realização pessoal e a principal forma pela qual uma geração passou seu capital social e moral para a próxima.

Foi essa visão do casamento como um compromisso para a vida existencial, que estava por trás do processo de “construção de gênero” nos dias em que homens eram domados e as mulheres eram idealizadas. Se o casamento não é mais seguro, as meninas são obrigadas a procurar outro lugar para a sua realização. E outro lugar significa a esfera pública – pois é uma área dominada por estranhos, com regras e procedimentos claros, na qual você pode se defender contra a exploração. A vantagem de habitar este espaço não precisa ser explicada a uma menina cuja mãe abandonada está sofrendo em seu quarto. Nem as suas experiências na escola ou faculdade irão ensiná-la sobre a confiança ou o respeito pelo personagem masculino. Suas aulas de educação sexual a ensinaram que os homens devem ser utilizados e descartados como os preservativos que os embrulham. E a ideologia feminista incentivou-a a pensar que só uma coisa importa – que é descobrir e realizar a sua verdadeira identidade de gênero, deixando de lado a falsa identidade de gênero que a “cultura patriarcal” tem impingido a ela. Assim como os meninos se tornam homens sem tornarem-se viris, as meninas se tornam mulheres sem tornarem-se femininas. A modéstia e castidade são descartadas como politicamente incorretas; e em cada esfera onde elas se deparam com os homens, as mulheres encontram-nos como concorrentes. A voz que acalmou a violência da masculinidade – ou seja, o chamado feminino para proteção – tem sido remetida ao silêncio.

Assim como as virtudes femininas existiam, a fim de tornar o homem gentil, a virilidade existia a fim de quebrar a reserva que fazia com que as mulheres retivessem seus favores até que a segurança estivesse à vista. No mundo do “sexo seguro”, os velhos hábitos parecem tediosos e redundantes. Em consequência, surgiu outro fenômeno marcante na América: a litigiosidade das mulheres para com os homens com quem elas dormiram. Parece que o consentimento, oferecido de modo livre e sem levar em conta as preliminares, uma vez assumido como indispensável, não é realmente consentimento e pode ser retirado com efeitos retroativos. As acusações de assédio ou até mesmo de “estupro no encontro” ficam sempre na reserva. O tapa na cara que é utilizado para limitar os avanços importunos é agora oferecido após o evento, e de forma muito mais letal – uma forma que não é mais privada, íntima e remediável, mas pública, regulamentada, e com a objetividade absoluta da lei. Você pode tomar isto como uma mostra de que o “sexo seguro” é realmente o sexo em sua forma mais perigosa.

Talvez o casamento seja o único sexo seguro que nós conhecemos.

Quando Stalin impôs as teorias de Lysenko sobre a União Soviética como a base “científica” do seu esforço para remodelar a natureza humana e transformá-la no “Novo Homem Soviético”, a economia humana continuou escondida sob os imperativos loucos do Estado stalinista. E uma economia sexual paralela persiste na América moderna, que nenhum policiamento feminista ainda conseguiu eliminar. Os homens continuam tomando conta das coisas, e as mulheres continuam a postergar para os homens. As meninas ainda querem ser mães e obter um pai para seus filhos, os meninos ainda querem impressionar o sexo oposto com sua valentia e seu poder. As etapas para a consumação da atração podem ser curtas, mas são passos em que os papéis antigos e os antigos desejos pairam no limite das coisas.

Assim, não há nada mais interessante ao antropólogo visitante que as palhaçadas dos estudantes universitários americanos: a menina que, no meio de alguma diatribe feminista de baixo calão, de repente, começa a enrubescer; ou o menino que, andando com sua namorada, estende um braço protegê-la. Os sociobiólogos nos dizem que esses gestos são ditados pela espécie. Devemos vê-los, sim, como revelações do senso moral. Eles são o sinal de que há realmente uma diferença entre o masculino e o feminino, para além da diferença entre o macho e a fêmea. Sem o masculino e o feminino, na verdade, o sexo perde seu significado.

E aqui, certamente, reside a nossa esperança para o futuro. Quando as mulheres forjam sua própria “identidade de gênero”, na forma como os feministas recomendam, elas deixam de ser atraentes para os homens – ou são atraentes apenas como objetos sexuais, e não como pessoas individuais. E quando os homens deixam de ser cavalheiros, eles deixam de ser atraentes para as mulheres. O companheirismo sexual então continua pelo mundo. Tudo o que se precisa para salvar os jovens dessa situação é que moralistas antiquados passem despercebidos pelas guardiãs feministas e sussurrem a verdade em ouvidos ansiosos e surpresos Na minha experiência, os jovens ouvem com suspiros de alívio que a revolução sexual pode ter sido um erro, que as mulheres estão autorizadas a ser modestas, e que os homens podem acertar o alvo ao serem cavalheiros.

E é isso que devemos esperar. Se somos seres livres, então é porque, ao contrário dos nossos genes, podemos ouvir a verdade e decidir o que fazer sobre isso.
Fonte
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